Talvez a solução fosse enterrar
a cabeça aérea no travesseiro,
mergulhar no mundo que desenhava
na contracapa de cadernos velhos,
nos traçados imaginários de sua cabeça
que borracha nenhuma apagaria.
Acordada,
a cabeça é um tanque de pensamentos engaiolado
uma prisão de coisas possíveis e corretas
tomar xícaras e xícaras de café parece um paradoxo estranho
para quem não quer mais ficar
acordado.
O mudo-mundo cospe todo dia em nossa face
que somos livres, como pássaros desengaiolados,
mas até quando é liberdade
seguir as grandes massas, as grandes migrações?
Ter um mundo de possibilidades
que de nada nos serve?
Eu e você deveríamos ser pássaros anárquicos
atravessar o espelho, desparafuzar o mundo,
desordinarizá-lo, tirar a vida do eixo
só pra ver o que aconteceria,
pra ver até quando este imaginário aguentaria
fazer da rotina dos loucos a nossa própria rotina.
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domingo, 8 de maio de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
"Campo dilatado"
Os pontos de fuga misturavam-se,
planos bidimensionais e tridimensionais
criavam um espetáculo de sinfonia maluca
em sua cabeça desorientada.
A cidade era-lhe um sinônimo,
um gigante de concreto e aço
com caos correndo em suas ruas,
veias e artérias entupidas.
Pulmões carregados,
os escapamentos cuspindo fumaça,
e os prédios arranhando o céu
feito disco de vinil.
Enterrava a falange das mãos no crânio
tentando decifrar aquela esfinge
que ameaçava devorá-lo em becos escuros,
becos de sua mente, becos dele mesmo.
Escorregava os pés pelos corredores apertados,
pelas escadarias espirais, labirintos pessoais.
Em meio a microuniversos desenhava trajetos,
um mundo de expectativas todas novas.
Detonava a cabeça com suas filosofias,
ainda tinha insegurança no andar
e constantemente pisava em falso
por entre os espaços de sua respiração.
Mas parecia se encontrar
por entre as pilhas de livros espalhados pela casa,
por entre o vão da estante de filmes.
Parecia encontrar-se nela.
planos bidimensionais e tridimensionais
criavam um espetáculo de sinfonia maluca
em sua cabeça desorientada.
A cidade era-lhe um sinônimo,
um gigante de concreto e aço
com caos correndo em suas ruas,
veias e artérias entupidas.
Pulmões carregados,
os escapamentos cuspindo fumaça,
e os prédios arranhando o céu
feito disco de vinil.
Enterrava a falange das mãos no crânio
tentando decifrar aquela esfinge
que ameaçava devorá-lo em becos escuros,
becos de sua mente, becos dele mesmo.
Escorregava os pés pelos corredores apertados,
pelas escadarias espirais, labirintos pessoais.
Em meio a microuniversos desenhava trajetos,
um mundo de expectativas todas novas.
Detonava a cabeça com suas filosofias,
ainda tinha insegurança no andar
e constantemente pisava em falso
por entre os espaços de sua respiração.
Mas parecia se encontrar
por entre as pilhas de livros espalhados pela casa,
por entre o vão da estante de filmes.
Parecia encontrar-se nela.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Tom, the rain dog
E o concreto lhe invadia feito onda, as pernas enterradas até a altura dos joelhos, os pés despedaçados, estava cansado. A vida era-lhe um retrato surrealista de mãos contorcidas e faces deformadas, vivia dentro de um relógio como ponteiro, andando em círculos e tentando justificar que iria chegar em algum lugar eventualmente, era rotina justificável. E queria enlouquecer, fugir de seu mundo de 360 graus, expandir; a auto-destruição era um preço baixo a pagar em nome de uma boa história, em nome de uma boa biografia. Mas havia dado tantas voltas que o tempo havia passado, e agora estava ele, um velho beberrão de tosses doloridas, de ideologias e gostos ultrapassados, o rosto cheio de rugas, solitário em um bar ouvindo um albúm de 1985. Sua vida se resumia a uma imensa quantidade de relíquias, de discos antigos e prateleiras de livros, uma coleção bem vinda a qualquer sebo da cidade. Tinha essa ideologia de vida que nunca teve coragem de botar em prática, preferindo sempre a caretice das coisas seguras, o enfado desprezível. E, ridiculamente, se apegava a dizeres literários; seus olhos brilhavam quando lia o trecho em que Leminski dizia: 'Pense e te apareça, senão eu te invento por toda a eternidade'. E o relógio que estava prestes a parar ganhava corda e continuava girando em seu mundinho de ilusões.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Garota estereótipo
Não que não gostasse dela, pensou consigo enquanto procurava no armário algo para comer. Ele simplesmente não suportava o fato dela representar a quebra de todos os estereótipos e expectativas que tinha, não gostava daquela vida que parecia a de um casal que estava junto há mais de vinte anos, aquela falta de idealização ridiculamente o incomodava. O jeito dela falar, de andar, até mesmo de beijá-lo, lhe causava repugna. Pensou que deveria ter problemas de intimidade, ou que pelo menos tinha um péssimo gosto para garotas, um gosto masoquista. Sempre se apaixonava pelos tipos mais improváveis, e se apegava facilmente à pessoas que estavam simplesmente lhe dando atenção, e que muitas vezes nem se importavam com ele. As pessoas o entediavam com muita facilidade, achava a maioria das garotas simplesmente desinteressante, buscava em outras pessoas uma fuga pra monotonia de sua vida mesmo sabendo que seria inútil; santas do pau oco e garotas problemáticas não eram a solução para sua rotina, apesar de achá-las muito mais interessantes do que quaisquer outras garotas. Queria o clichê e o blasé, tudo junto e misturado. Deu mais uma olhada no armário, nada ali abria seu apetite. Pra falar a verdade, nada ali lhe interessava. Precisava ir logo.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Deixa o verão pra mais tarde
A realidade tem esse hábito de nos atingir de uma vez, como um banho de água fria num dia de inverno, aversivo. É, acho mesmo que faz parte da natureza humana essa nossa capacidade de nos adaptarmos às adversidades da vida, de superar os desgostos e os problemas e aceitar qualquer coisa suportável dizendo que 'a vida é assim mesmo'. Posso parecer sonhador demais, otimista demais, pouco realista, tanto faz, gosto desse meu jeito de não achar que a vida é uma merda porque tem que ser assim, gosto de pensar que temos culpa em deixar boas oportunidades passarem e, sinceramente, não acredito em destino, não acredito que se coisas estão destinadas a acontecer elas irão acontecer de um jeito ou de outro. Acredito sim que coisas aleatórias acontecem sem motivo algum e que o mundo é movido por decisões tomadas e não por alguma tendência do destino de acontecerem. Escuto você se desculpando, dizendo um clichê qualquer, gesticulando muito para esconder sua falta de jeito, dizendo qualquer coisa sobre nosso futuro só pra me confortar, mantendo aquela distância segura de mim, falando e falando sobre destino; eu odeio seu jeito de me querer bem sem me querer mais. Enfim, às vezes é só coincidência mesmo.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Não há tempo e meu passatempo é reclamar
Meu gostar de você parece um hiato mental, uma quebra qualquer na rotina de meus dias que logo voltará ao normal, essa coisa de vai e vem que há tempos passamos. De vez em quando eu tento me colocar como telespectador disso tudo, tento observar o que andamos fazendo de nossas vidas, e nada parece estar certo. Vejo como você tenta se convencer de que gosta mesmo de mim, mas também vejo em cada detalhe das críticas que faz sua vontade imensa de não estar lá comigo, de que não fosse eu, de que eu fosse deveras diferente. Acho mesmo que virou rotina da minha rotina querer estar contigo, mas toda sua indiferença me faz querer mudar essa rotina filha-da-puta.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
As coisas mais loucas que ela diz são perfeitas em ouvidos alheios
Eu estava preparando alguma gororoba para comermos enquanto apreciava os móveis improvisados daquela cozinha: as cadeiras de praia e a mesa de plástico, e a ausência total de qualquer outro móvel útil, a panela velha que faz comida boa, e nossos pouquíssimos pratos e talheres. A luz da rua entrava pela janela emperrada que nunca abríamos, era madrugada não sei que horas, as notas daquele rock sujo que tocava pareciam bailar sob as nuvens de nicotina no ar.
Foi então que você apareceu, vestindo apenas aquela minha camisa xadrez que tanto gosta, indagando sobre o que eu andava a fazer e importunando-me como sempre faz. Eu mal prestava atenção para seus assuntos desconexos, estava mesmo preocupado em lhe fazer alguma comidinha gostosa. Foi então que você, cansada da minha indiferença, abraçou-me por trás enquanto eu estava com a comida no fogo e sussurrou algumas palavras em meu ouvido. E aí que algumas poucas palavras suas são como um sopro de alegria que percorre todas as células do meu corpo, eu acho que nem escutei o que você disse naquele momento, apenas me concentrei na sua voz baixa em meu ouvido e foi o suficiente para me fazer desmoronar. A comida queimando e as poucas roupas que usávamos agora sobre as cadeiras de praia.
Acho que eu gosto mesmo de cada pequena irregularidade da nossa vida. Gosto mesmo da nossa vida.
Foi então que você apareceu, vestindo apenas aquela minha camisa xadrez que tanto gosta, indagando sobre o que eu andava a fazer e importunando-me como sempre faz. Eu mal prestava atenção para seus assuntos desconexos, estava mesmo preocupado em lhe fazer alguma comidinha gostosa. Foi então que você, cansada da minha indiferença, abraçou-me por trás enquanto eu estava com a comida no fogo e sussurrou algumas palavras em meu ouvido. E aí que algumas poucas palavras suas são como um sopro de alegria que percorre todas as células do meu corpo, eu acho que nem escutei o que você disse naquele momento, apenas me concentrei na sua voz baixa em meu ouvido e foi o suficiente para me fazer desmoronar. A comida queimando e as poucas roupas que usávamos agora sobre as cadeiras de praia.
Acho que eu gosto mesmo de cada pequena irregularidade da nossa vida. Gosto mesmo da nossa vida.
domingo, 17 de outubro de 2010
Antropofagia

Sinto falta das marcas no meu corpo, qualquer mordida ou arranhão para o qual as pessoas olhassem e entendessem que eu, em algum grau, encontrei o amor. Sinto falta do que você viria a significar, e de ficar encharcado com você embaixo da chuva misturando água e saliva, ignorando o frio e todo o resto do mundo. Minhas paredes sentem falta dos arranhões, meu travesseiro sente falta das mordidas, e eu sinto sua falta. Sinto falta de mascar seus chicletes sem gosto, de eu pegar tudo que é seu, de você completar tudo que é meu. Vivo como Hati, olhando a lua lá em cima e correndo atrás enquanto ela atravessa os céus; quem sabe um dia eu irei alcançá-la e devorá-la.
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domingo, 10 de outubro de 2010
And I would be sad if our new love was in vain
Vê-la dançando ao som de alguma balada qualquer, de alguma música extrapolada de sentimentalismo, vê-la quase que querendo que aquelas palavras fossem verdade, magnetizando minha atenção por segundos ou milisegundos. Um momento de epifania sentimental que parecia confortar, querer fazer sentido, servir de inspiração tola para algum desabafo qualquer. Quase a ouvi sussurrar aquelas palavras, recitá-las para mim, dizer que compreendia e que eu não estava imaginando coisas de novo. Mas durou apenas tempo suficiente para ser uma lembrança legal, uma lembrança tão qualquer quanto todas as outras coisas que haviam acontecido naquela semana. Acabou-se sôfrego de oportunidades melhores e de coisas que eventualmente dão certo, acabou-se tão repentinamente quanto começou. Minha mente fragmentada e desconexa buscou novamente enfatizar algum momento tolo, só pra ver se eu fico melhor assim. Eu não sei como concluir esse texto.
With a little help from my friends
Procurei pensar sobre nada relevante por algumas horas, esquecer situações deletérias e gritar rock and roll até os meus pulmões não aguentarem mais, até o mundo fazer um pouco de sentido. Foi o rock, foram as chances perdidas, foram os abraços envolvidos de efemereuforia, foram as danças e as trocas de olhares, foi reviver uma memória coletiva, foi ver diante dos olhos um sonho quase sendo realizado, e foi ver a realidade afundando num copo de bebida, expirando no ar como a fumaça de cigarro. Foi eu buscando tragar todos os sentimentos daquele momento único, e vendo as memórias-fumaça desaparecendo no céu estrelado, acendendo uma estrela qualquer. Foi eu querendo eternizar aquelas memórias em meu corpo com marcas de cigarro e machucados quaisqueres, buscando algo para o qual olhar e lembrar de tudo o que aquelas músicas representavam. Foi aquele vortex temporal que me levava para memórias nunca vividas, nostalgia herdade de algum tempo qualquer, de uma idealização convincente. Foi bom.
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sábado, 2 de outubro de 2010
Remenda o meu sorriso e, sorrindo, me costura mais uma ruga

Acho que você tem tido um função paleativa em minha vida, dizendo com seus gestos complacentes que tudo eventualmente ficará bem. Dizendo, em meio a escárnios amorosos, que eu exagero demais em meus problemas, que eu exagero demais em tudo. Com aquele seu jeito de tanto faz, me dizendo que não acredita em quem acredita no amor e zombando meu romantismo incurável. Você, que sempre acreditou tanto no amor e sempre teve tanta fé em coisas que eu nunca nem ao menos acreditei, agora, me diz isso assim. Passo a acreditar na mutabilidade das pessoas, e que nenhuma personalidade é tão concreta que não possa ser moldada inescrupulosamente pela vida.
E eu, que andava assim tão zé, deixei que tudo fosse e decidi olhar pra frente
Ah, cansei só um pouco de fazer planos e mais planos pra poder esbarrar com você naquela esquina de merda, ou de procurar alguma explicação plausível para todos nossos desencontros nostálgicos, e achar que está tudo bem estar tão perto-longe de você. Cansei só um pouco de todas as pseudo-lembranças que minha mente criativa inventa sobre nós e de parecer tão ridículo a mim mesmo, de querer tão veemente contradizer cada fibra de razão que possuo só pra poder sonhar um pouco mais alto. Acho que a constante cumulatividade de minhas expectativas tem tido um efeito tóxico, mas uma toxicidade elucidativa, virulência inversa. Eu acho que cansei um pouco de você. Mas só um pouco.
"Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre."
"Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre."
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
E as coisas se ajeitam de um jeito tão caótico, e já tudo que eu faço me parece tão robótico
Sinto falta de sua blandícia e de como costumava alinhar as ideias em minha cabeça, de como costumava ser conforto e dizer amabilidades. Minhas funções cognitivas parecem desordenadas, acho que meu cérebro se acostumou a dependender de ti e agora parece que perdi a razão, falta lógica e coerência. Sinto-me desconectado das coisas ao meu redor, buscando em outros ares qualquer tipo de codependência semelhante, buscando a mesma blandícia que me faz falta. Busco planos alternativos e rotas de escape, qualquer coisa para não encarar que eu dependo demais de você.


Mas, no final, tudo se resume ao fato de eu não ter a tal porcaria da auto-estima.
Efeito placebo

Estou aceitando qualquer pseudo felicidade, qualquer fortuito que engane meu cérebro, qualquer coisa para me iludir. Qualquer mentirinha que me faça achar tudo mágico e distante.
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domingo, 12 de setembro de 2010
Neighborhood #1
Eu não gosto de dizer o nome de alguém que gosto muito para os outros quando essa paixão é de certa forma anônima ou não correspondida. É um ciúme idiota, mas parece que se conhecidos descobrissem o nome dessa pessoa, isso seria suficiente para roubá-la de mim (sem nunca nem ao menos ela ter sido minha). Também o fato de outros descobrirem minha paixão por um pessoa parece criar uma certa expectativa a mais, um olhar crítico e a corrupção de toda a beleza da paixão anônima.
O amor em anonimato é algo simples, é uma idealização sem compromisso, é um gostar que não quer se revelar; quando esses sentimentos vêm a tona temos que encarar a dura realidade das relações humanas (que não possuem fórmula nem estrutura), a dura realidade do antagonismo romântico que pode ser tanto benévolo quanto malévolo.
O amor em anonimato é algo simples, é uma idealização sem compromisso, é um gostar que não quer se revelar; quando esses sentimentos vêm a tona temos que encarar a dura realidade das relações humanas (que não possuem fórmula nem estrutura), a dura realidade do antagonismo romântico que pode ser tanto benévolo quanto malévolo.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
anca
Via-se refletido no espelho e, apesar da margem de erro, não conseguia parar de sonhar com as possibilidades que aquele encontro consigo poderia proporcionar. Esperou sua vida inteira por um momento assim, poder conhecer um protótipo de si, o mesmo molde que poderia tomar caminhos diferentes e ser melhor do que ele jamais foi. Via naquele reflexo um sonho de criança, o sonho de Narciso tornando-se realidade, via toda a possibilidade que aquele momento conspirado estava lhe proporcionando. Via-se refletido no espelho.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
giro
A boa literatura faz minha mente efervescer em ludíbrios por querer, desesperadamente, ser genial também.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
metacarpo

Vejo o gotejar deste tom escarlate e não posso deixar de me sentir extasiado. Existe uma certa beleza indescritível na forma com que ele brota dos tecidos vivos, na forma como resume toda a substancialidade da vida. Parece que apenas quando vejo a vida escorrer por entre os poros de minha existência, apenas nesse momento não me sinto um morto-vivo social... Nesse momento sinto-me estupidamente vivo.
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