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sábado, 22 de janeiro de 2011

Manic Depression

Tenho esse retrato enfadonho de vida, de noites rotineiras bebendo, dos mesmos rocks sujos, dos mesmos cigarros amargos, das mesmas pessoas. Ah, as pessoas. Sabe, nunca foi questão de conhecer uma multidão delas, era mais questão de conhecer algumas mais interessantes, um pouco mais de intimidade não faria mal a ninguém. É, acho que eu sinto mesmo falta da intimidade. Ser contradição parece nó cérebral, e gosto mesmo de paradoxos, eu gosto de companhias e gosto de solidão, gosto muito de opostos. Apesar de odiar tanto rotinas, nunca serei tão expontâneo quanto gostaria. Acho que eu preciso mesmo de alguém pra me ajudar a ser menos eu mesmo, acho que preciso mesmo de alguém pra me salvar da rotina dos dias úteis.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Deixa o verão pra mais tarde

A realidade tem esse hábito de nos atingir de uma vez, como um banho de água fria num dia de inverno, aversivo. É, acho mesmo que faz parte da natureza humana essa nossa capacidade de nos adaptarmos às adversidades da vida, de superar os desgostos e os problemas e aceitar qualquer coisa suportável dizendo que 'a vida é assim mesmo'. Posso parecer sonhador demais, otimista demais, pouco realista, tanto faz, gosto desse meu jeito de não achar que a vida é uma merda porque tem que ser assim, gosto de pensar que temos culpa em deixar boas oportunidades passarem e, sinceramente, não acredito em destino, não acredito que se coisas estão destinadas a acontecer elas irão acontecer de um jeito ou de outro. Acredito sim que coisas aleatórias acontecem sem motivo algum e que o mundo é movido por decisões tomadas e não por alguma tendência do destino de acontecerem. Escuto você se desculpando, dizendo um clichê qualquer, gesticulando muito para esconder sua falta de jeito, dizendo qualquer coisa sobre nosso futuro só pra me confortar, mantendo aquela distância segura de mim, falando e falando sobre destino; eu odeio seu jeito de me querer bem sem me querer mais. Enfim, às vezes é só coincidência mesmo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não há tempo e meu passatempo é reclamar

Meu gostar de você parece um hiato mental, uma quebra qualquer na rotina de meus dias que logo voltará ao normal, essa coisa de vai e vem que há tempos passamos. De vez em quando eu tento me colocar como telespectador disso tudo, tento observar o que andamos fazendo de nossas vidas, e nada parece estar certo. Vejo como você tenta se convencer de que gosta mesmo de mim, mas também vejo em cada detalhe das críticas que faz sua vontade imensa de não estar lá comigo, de que não fosse eu, de que eu fosse deveras diferente. Acho mesmo que virou rotina da minha rotina querer estar contigo, mas toda sua indiferença me faz querer mudar essa rotina filha-da-puta.

pseudo-primazia dos dias

Fiz um desenho outro dia. Um desenho qualquer, amorfo, indefinido; tentar interpretar aquele desenho seria como interpretar uma daquelas imagens que são utilizadas no teste de Rorschach. Enfim, talvez o desenho só tivesse significado para mim. Eram minhas expectativas traçando caminhos, possibilidades diversas e quaisquer, e eu quase enxergava todas as coisas que me poderiam acontecer. Essa coisa de fazer planos, de traçar caminhos... é sufocante.

sábado, 2 de outubro de 2010

E eu, que andava assim tão zé, deixei que tudo fosse e decidi olhar pra frente

Ah, cansei só um pouco de fazer planos e mais planos pra poder esbarrar com você naquela esquina de merda, ou de procurar alguma explicação plausível para todos nossos desencontros nostálgicos, e achar que está tudo bem estar tão perto-longe de você. Cansei só um pouco de todas as pseudo-lembranças que minha mente criativa inventa sobre nós e de parecer tão ridículo a mim mesmo, de querer tão veemente contradizer cada fibra de razão que possuo só pra poder sonhar um pouco mais alto. Acho que a constante cumulatividade de minhas expectativas tem tido um efeito tóxico, mas uma toxicidade elucidativa, virulência inversa. Eu acho que cansei um pouco de você. Mas só um pouco. "Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre."

domingo, 5 de setembro de 2010

ramshackle

A vida, em toda sua plenitude e longevidade, é efêmera e sem sentido.

sábado, 4 de setembro de 2010

meiose

Cada decisão tomada corrompe as possibilidades, cada decisão tomada é mais uma boca que morde e arranca pedaço do espírito fluido da juventude.

"A juventude é a única coisa que vale a pena possuir. (...) Nos degeneramos em fantoches repugnantes, assediados pela lembrança de paixões a que muito tememos e pelas tentações exóticas a que não tivemos coragem de nos entregar."

(O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

metacarpo


Vejo o gotejar deste tom escarlate e não posso deixar de me sentir extasiado. Existe uma certa beleza indescritível na forma com que ele brota dos tecidos vivos, na forma como resume toda a substancialidade da vida. Parece que apenas quando vejo a vida escorrer por entre os poros de minha existência, apenas nesse momento não me sinto um morto-vivo social... Nesse momento sinto-me estupidamente vivo.