Nadava, nadava com todas as suas forças para conseguir tirar aquele corpo que se afogava das profundezas do oceano. A costa ainda estava longe, mas ele não podia desistir agora; o corpo parecia um peso morto, a pessoa já havia sufocado tanto que estava desmaiada. Depois de muito esforço conseguiu finalmente chegar à praia, algumas pessoas que estavam por perto vieram socorrer o afogado enquanto ele, o salvador, se atirou na areia maldizendo sua incapacidade de salvá-lo, jurava que não existiam esperanças. Foi quando escutou aquele respirar profundo de quem acabou de escapar de um afogamento, seguido de tosse. Levantou-se para olhar o rosto da pessoa...
Espantou-se com o que viu e, por algum tempo, achou que estava a ver coisas. Coçou os olhos e fitou a pessoa mais uma vez... não, não era ilusão, aquela pessoa realmente era ele mesmo. Sentia-se fragmentado e aquela fisionomia era apenas um dos pedaços de coisas que ele havia perdido.
Nadou, nadou e nadou; mas não morreu na praia.
domingo, 12 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
meiose
Cada decisão tomada corrompe as possibilidades, cada decisão tomada é mais uma boca que morde e arranca pedaço do espírito fluido da juventude.
"A juventude é a única coisa que vale a pena possuir. (...) Nos degeneramos em fantoches repugnantes, assediados pela lembrança de paixões a que muito tememos e pelas tentações exóticas a que não tivemos coragem de nos entregar."
(O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde)
"A juventude é a única coisa que vale a pena possuir. (...) Nos degeneramos em fantoches repugnantes, assediados pela lembrança de paixões a que muito tememos e pelas tentações exóticas a que não tivemos coragem de nos entregar."
(O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde)
anca
Via-se refletido no espelho e, apesar da margem de erro, não conseguia parar de sonhar com as possibilidades que aquele encontro consigo poderia proporcionar. Esperou sua vida inteira por um momento assim, poder conhecer um protótipo de si, o mesmo molde que poderia tomar caminhos diferentes e ser melhor do que ele jamais foi. Via naquele reflexo um sonho de criança, o sonho de Narciso tornando-se realidade, via toda a possibilidade que aquele momento conspirado estava lhe proporcionando. Via-se refletido no espelho.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
giro
A boa literatura faz minha mente efervescer em ludíbrios por querer, desesperadamente, ser genial também.
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